Você já reparou como algumas palavras aparecem na mídia e, de repente, viram moda? Quem dava a mínima para glúten e lactose há alguns anos? Os entusiastas que me perdoem, mas fui criada a leite de saquinho tipo B, além de toneladas de glúten e estou viva, saudável e magra.
Não, eu não estou aqui para dizer que sou contra qualquer um desses modismos, pois geralmente eles tratam de assuntos que fazem parte do nosso processo de evolução.
Mas, o que tem me incomodado há algum tempo, é a forma com que a imprensa brasileira tem se posicionado em relação a todos esses assuntos, principalmente na internet, muitas vezes ignorando o fato de que nossa população é gigantesca e extremamente diversificada.
De um lado, tenho a sensação de que alguns produtores de conteúdo e profissionais que trabalham com propaganda não fazem a menor ideia do que seja a verdadeira classe C.
Do outro lado, essa classe C que recentemente entrou na onda do consumo e agora tem acesso irrestrito a qualquer tipo de informação através da internet, se sente totalmente incompreendida e desiludida quando lê um artigo em um portal como o UOL dizendo que, segundo minimalistas, não é preciso de muito para ser feliz.
Como explicar para uma criatura que, pela primeira vez na vida, está sentindo o prazer de comprar um carro, uma TV de LED ou um smartphone que para ser feliz é preciso abrir mão de coisas materiais? Tenho certeza que não é usando uma típica família de classe AA como exemplo.
Mas o que o tal minimalismo tem a ver com isso?
Minimalismo é a nova palavra da moda, principalmente entre pessoas que já se cansaram do consumismo desenfreado e agora estão prestando um pouco mais de atenção em coisas que o dinheiro não pode comprar, como a satisfação com a vida e a felicidade.
Mas, ser minimalista, não significa viver em um apartamento pequeno com poucos móveis modernos e brancos e não ter televisão. Também não significa vender todas as roupas, o carro, pedir demissão do emprego, ir morar em alguma cidade com nome exótico no Sudeste Asiático e ter apenas uma mala.
Minimalismo é muito mais do que um estilo de vida. É uma ferramenta que pode ajudar a todos aqueles que estiverem dispostos a se livrar dos excessos em favor de se concentrar no que é importante para encontrar a felicidade, realização pessoal e, principalmente, liberdade.
Quando identificamos o que não é necessário, começamos a tomar decisões mais conscientes e isso acaba nos libertando de medos, preocupações, angústias, culpa e das armadilhas do consumo que acabamos construindo em nossas vidas e que nos fazem sentir que estamos presos aos nossos empregos ou a determinados círculos sociais.
Para ser minimalista não existe regra. Não existem 10 passos que farão você se livrar de tudo o que é desnecessário da sua vida. Até porque, cabe a cada um saber o que é importante para si mesmo. Esta mudança está diretamente ligada ao que cada um entende como felicidade.
Por isso, não está errado querer ter um carro confortável, roupas bacanas ou uma bela casa se essas coisas são importantes para você e fazem a sua vida feliz. O problema está no significado real que essas coisas tem nas nossas vidas e no sacrifício que as vezes fazemos para possuí-las sem perceber o quanto elas arruinam nosso bem-estar, nossos relacionamentos e até mesmo nossa saúde.
Meu pai sempre achou que ter um carro bacana o fazia parecer bem sucedido aos olhos dos clientes que ele atendia. Por isso, ele trocava de carro todo ano, fazia prestações altíssimas que tiravam seu sono, deixava os filhos estudando em escola pública, parava de pagar o plano de saúde e acabava brigando com a minha mãe todo fim de semana porque não sobrava dinheiro para sair de casa. Será que a satisfação de ter o carro compensava tudo isso? Não sei, mas infelizmente ele morreu aos 51 anos vítima de um AVC comprovadamente causado por anos de stress e de uma vida completamente cheia de excessos.
Mas, se ainda assim você gostaria de ler algumas dicas para ter um ponto de partida, aí vão três mudanças importantes que fiz na minha vida e que contribuíram para que eu fosse mais feliz no longo prazo:
1. Liquidei todas as dívidas
Eu sempre fui a rainha das prestações e achava que o cheque especial fazia parte do meu salário. Só quando me dei conta do quanto estava pagando de juros e do quanto isso tirava o meu sono eu resolvi tomar uma atitude. Foi difícil, mas depois disso começou a sobrar dinheiro para fazer uma previdência, sair para jantar fora que é uma coisa que eu adoro e nunca podia fazer e viajar duas vezes por ano.
2. Diminuí radicalmente as idas ao shopping
Este era o meu lugar preferido para passar o tempo. Adorava olhar vitrines e receber pilhas de catálogos em casa. Meu coração chegava a acelerar quando eu lia a palavra 50%OFF em uma vitrine. Além de sempre ter parcelas no cartão de crédito por causa disso, com o tempo percebi que 2/3 do que eu comprava eram usados apenas uma vez, quando não ficava esquecido no armário. Resumindo, para que?
3. Abri mão de absolutamente tudo o que não tinha utilidade
Qual é a razão de manter uma coleção de 400 CDs se você só ouve música pelo MP3? Além de acumular poeira e ocupar espaço, não faz sentido ter apego a algo que não tem utilidade nenhuma. Quanto menos coisas inúteis você tem em casa, menos tempo você ou sua faxineira vai passar limpando. Isso pode resultar em uma casa mais limpa ou em mais tempo para você fazer coisas mais interessantes do que limpar a casa.
Vendo assim, parece que foi fácil. Mas, não foi. Esse processo todo demorou cinco anos para acontecer. O mais importante foi que uma coisa levou à outra quase que automaticamente. Depois de me livrar das dívidas não fazia sentido criar novas parcelas para comprar roupas e, depois de parar de comprar, não fazia mais sentido manter o que estava parado sem uso há tanto tempo.
E, depois de perceber que viver dessa forma se tornou natural, eu me senti livre para fazer outras mudanças acontecerem, como pedir demissão para viajar 
Gostaria de saber a sua opinião. Você concorda que o minimalismo pode ser um dos caminhos para ter uma vida mais feliz ou acredita que ainda vamos viver algum tempo na sociedade do consumo? Vamos bater um papo nos comentários!
Imagem: Gdefon
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